Amarela ou branca: o que significa a cor da cachaça?

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Branquinha? Amarelinha? Cada um tem sua forma carinhosa e pessoal de chamar a cachaça. O motivo é simples: a cor do líquido é responsável por alguns dos apelidos deste patrimônio nacional Brasil afora. Mas a tonalidade não é capricho. Há muita coisa por trás da cor da cachaça que está no seu copo.

“A cor se dá pela madeira em que a cachaça esteve armazenada, e sua intensidade pode variar de acordo com o tempo e o tipo de madeira do barril ou tonel”, explica Nelson Duarte, master blender de Ypióca e uma das maiores autoridades do planeta quando o assunto é cachaça. Então deduzimos que a cachaça branca não passou por barris, certo? Não é bem assim...

“Geralmente cachaças brancas não costumam ser envelhecidas, porém algumas madeiras, como o amendoim e o freijó, são consideradas neutras e levam muito tempo para transferir cor à cachaça”, elucida Duarte sobre a pegadinha. Ou seja, cuidado na hora de afirmar que apenas a ‘amarelinha’ é sinônimo de cachaça envelhecida.

As cores levam muita gente a propagar um mito que a cachaça amarela superior à branca. Mas, como conta o master blender, essa associação não tem fundamento – em termos atuais, são ‘fake news’. “Cor não é indicativo de qualidade”, ele diz. “Ela significa que o líquido possui características sensoriais como sabor e aroma do tipo da madeira onde esteve armazenado ou envelhecido”.

Cor de cachaça e madeira para todos os gostos

Da mesma forma, a ‘amarelinha’ nunca é igual a outra cachaça da mesma cor: cada uma conta com suas particularidades. “São utilizadas mais de 30 tipos de madeira para armazenamento de cachaça”, diz Duarte, que ressalta que, quando envelhecida, a bebida em sua tonalidade amarela “tem sabor e aroma mais complexos e característicos da madeira” utilizada no processo. As mais frequentes são o carvalho (tanto europeu quanto americano), além de diversas madeiras nativas, como bálsamo, amburana e jequitibá.

Duarte usa a própria Ypióca e sua variedades de rótulos para exemplificar os efeitos de cada madeira (ou de sua falta) no processo de maturação da cachaça.

Ypióca Prata

“Tem o puro sabor da cana”

Ypióca Ouro

“É armazenada em tonéis de bálsamo e por isso tem um sabor mais amadeirado e suave”

Ypióca Cinco Chaves

“É um blend de cachaças raras, envelhecidas em barris de carvalho e armazenadas em tonéis de castenheira, o que resulta em um sabor suave e frutado”

Qual é a melhor cachaça? Bem, aí é com você e o seu paladar. A resposta, no fim, se resume àquela que você gostar mais – tanto na hora de beber pura ou de usar no seu drink. Isso vale, inclusive, para a caipirinha, que geralmente é apresentada com a cachaça branca, mas pode ser feita sem problemas com uma amarelinha, rompendo assim uma tradição centenária. “Quando a capirinha foi criada, não era costume armazenar cachaça em barris de madeira, por isso se usava a cachaça branca em sua composição”, conta Duarte.

“A cachaça é um líquido versátil e com muita personalidade, por isso é possível harmonizar e criar inúmeros drinks com os mais diversos sabores, aromas e sensações para todos os gostos”, arremata o master blender de Ypióca, que dá um par de sugestões para você tentar em casa: “Caipirinha de cachaça armazenada em bálsamo combina muito com abacaxi, enquanto a maga fica perfeita numa caipirinha com cachaça armazenada em amburana”.

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